sábado, 12 de novembro de 2016

Paul Washer – Uma Palavra aos Jovens (Parte 1/8)- LEMBRE-SE DA BREVIDADE DA VIDA

Ao longo dos últimos dias senti-me compelido escrever a seguinte palavra para a juventude que recebe esta publicação. Eu peço a você para considerar em espírito de oração as coisas que você vai ler. Se você encontrar alguma verdade no que está escrito, quero admoestá-lo para ajustar sua vida ao que você leu. Não desperdice sua vida!


O primeiro homem foi criado à imagem de Deus. Se ele tivesse se submetido à vontade de Deus, ele teria sido imortal. Ele passaria pelos anos da sua interminável existência de força a força, sem deterioração ou decadência. A passagem do tempo o teria levado a maiores níveis de maturidade, contentamento, e alegria. Sua existência teria abundado com propósitos e glória.
Com o advento do pecado, tudo foi perdido, e a existência dos homens tornou-se tragicamente distorcida e deformada acima de reconhecimento. O homem ficou um mortal de breve duração, cansaços, e futilidades. Ele agora vive a sua vida até que toda a sua vitalidade é esgotada, todos os seus propósitos são demolidos, e o corpo finalmente volta ao pó do qual ele veio. Não é sem razão que o pregador grita, “Vaidade de vaidades! Tudo é a vaidade” (Eclesiastes 1:2).
Como um moço ou moça, você deve constantemente lutar contra a tentação de esquecer-se da brevidade da vida e da vaidade, até da vida mais longa, vivida fora da vontade de Deus. Você deve aprender das Sagradas Escrituras que a sua vida é menos que um vapor. Você deve ficar convencido desta verdade, e, então, você deve estabelecê-la diante de você como um lembrete constante. Você é mortal e os seus dias são numerados!
“Quanto ao homem, os seus dias são como a erva,
como a flor do campo assim floresce.
Passando por ela o vento, logo se vai,
e o seu lugar não será mais conhecido.”
(Salmo 103: 15, 16; ACF).
“Vocês são como a neblina que aparece
por um pouco de tempo e depois se dissipa.”
(Tiago 4: 14; NVI).
Você sabe que a Bíblia é verdadeira. Você sabe que a morte é uma certeza para você. Cada lápide e elegia testemunha a realidade inescapável que você vai morrer. E mesmo assim, como é que você tão rapidamente se esquece e se entrega às vaidades passageiras desta vida? É porque você é rodeado por uma cultura que faz tudo ao seu alcance para evitar algum pensamento sobre o fim de vida. É porque o deus deste século trabalha com toda a sua astúcia para mantê-lo entretido e distraído. É porque, embora você tenha sido remido, você ainda vive em um corpo da carne, decaído, que corre para tudo que é carnal e temporal. Conhecendo essas coisas, você faria bem em memorizar e orar muito a oração de Davi no Salmo 39: 4:
“Mostra-me, Senhor, o fim da minha vida
e o número dos meus dias,
para que eu saiba quão frágil sou.” (NVI)
Manter a sua mortalidade na frente de seus pensamentos não tem como objetivo ser mórbido ou se lamentar como aqueles que não têm nenhuma esperança, mas compeli-lo a esperar em Cristo somente e dar-se de todo coração à Sua vontade para sua vida. Só em Cristo a sepultura é consumida pela vitória, e a futilidade temporal substituída pelo propósito eterno e glorioso de Deus para você.
– Paul Washer

O Mundo e o Cristão - Parte Final

"Quando Deus criou as artes, deu a elas um lugar no mundo, ao qual chamou de bom. A arte existe porque Deus quis que existisse. Ela tem função e significado próprios" - Hans Rookmaaker
Há lugar para músicas, poesias, enfim, arte de um modo geral, na vida cristã?
Na Bíblia, claramente percebemos o envolvimento que homens de Deus tinham com as artes não cristãs. Percebemos que, em seu dia a dia, havia um espaço para o conhecimento das mesmas.
Paulo demonstra que conhecia arte pagã. Chega a citá-la em sua epístola à Tito e em sua pregação no areópago, em Atenas. Aqui, Paulo curiosamente age de modo diferente de como faz em outras de suas pregações. Ele cita o filósofo Epimênedes acerca de Zeus: "Os cretenses, sempre mentirosos, bestas más, ventres preguiçosos, forjaram uma tumba para ti, oh santo e elevado. Mas tu não estás morto. Tu vives e permaneces para sempre. Porque em ti vivemos, nos movemos e temos nosso ser".
E, na pregação de Atenas, além de citar Epimênedes, Paulo cita Arato: "Comecemos com Zeus. Nunca deixemos de mencioná-lo, oh mortais! Todos os caminhos e todos os locais onde os homens se reúnem estão plenos de Zeus. Em todos os nossos assuntos temos que ver Zeus, porque somos também sua geração."
Paulo cita pagãos para pagãos. Todavia, sua mensagem principal era o Evangelho. E é exatamente por causa disso que eles dispensaram a Paulo e disseram que o ouviriam em outra ocasião.
Veja nas próprias palavras de Paulo algumas referências a poetas pagãos:"Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração" (Atos 17:27-28); e também aqui: "Aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Um deles, seu próprio profeta, disse: Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos. Este testemunho é verdadeiro. Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé" (Tito 1:11-13).
Estes exemplos do uso que Paulo fazia não nos servem para legitimar o consumo e apreciação pelas artes não cristãs, mas servem para nos mostrar que Paulo as conhecia, e de cor.
Não podemos confundir tudo isso com uma licenciosidade para ouvir todo e qualquer tipo de música, filme ou poema pagãos. Não. Somos orientados pela Palavra de Deus a não preenchermos nossas mentes com aquilo que não nos edifica (Fl 4.8).
Todavia, não precisamos chegar ao ponto de considerarmos demoníacas toda forma de expressão artística não cristã. Vejamos como os cristãos têm tratado isso ao longo da história.
Como escreveu Henderik Roelof "Hans" Rookmaaker, "quando Deus criou as artes, deu a elas um lugar no mundo, ao qual chamou de bom. A arte existe porque Deus quis que existisse. Ela tem função e significado próprios".
Este tem sido o entendimento da grande maioria dos cristãos, desde o início. As artes, por mais deturpadas que estejam, não devem ser vistas como algo pervertido em si. Substancialmente, se pudermos assim colocar, as artes foram criadas como um fim para comunicar beleza e atributos.
Ao pesquisarmos a história da igreja primitiva, percebemos de modo abundante a utilização de elementos artísticos para expressar sua fé. Sejam em pinturas na parede de cavernas, em letras ou animais desenhados ou lapidados em rocha, ou ainda em vitrais que expressavam a história da redenção, a fé dos cristãos sempre encontrou seu lugar nas artes.
Isso, sem mencionar uma infinidade de hinos, livros e poesias que serviam como forma de expressarem sua fé.
Desde o início, os cristão usam imagens, símbolos, pinturas, músicas, enfim, arte para expressar sua fé. Imagens como o peixe, o cordeiro, o leão e a âncora, por exemplo, eram extraídas dos textos inspirados da Bíblia e usadas no dia a dia dos cristãos.
Durante a reforma protestante, os reformadores continuaram dando às artes um lugar de destaque. Veja Calvino: "Que mui excelentes dons do Espírito Divino são estes, que, para o bem comum do gênero humano, dispensa a quem quer [...]. Se o Senhor nos quis deste modo ajudados pela obra e ministério dos ímpios na física, na dialética, na matemática e nas demais áreas do saber, façamos uso destas para que não soframos o justo castigo de nossa displicência, se negligenciarmos as dádivas de Deus nela graciosamente oferecidas".
Ainda comentando o livro de Êxodo 31:1-5, João Calvino afirma: "Todas as artes emanam dEle, e, portanto, devem ser reconhecidas como invenções divinas [...] portanto, devemos concluir que qualquer habilidade possuída por qualquer pessoa emana de uma única fonte, e é conferida por Deus".
Perceba, então, que na tradição cristã as artes sempre ocuparam um lugar legítimo e específico.
Mas, e na adoração comunitária? Qual o lugar das artes? Devemos usá-las? De qual forma?
Lembro-me da seguinte afirmação de C. S. Lewis: "Não gostei muito dos hinos deles, que considerei poema de quinta categoria em música de sexta. Mas com o tempo, vi seu grande mérito. Eu fui confrontado com pessoas de visões e educações diferentes, e gradualmente meu conceito começou a se desfazer. Eu percebi que os hinos (que eram apenas música de sexta categoria) estavam, no entanto, sendo cantados com devoção e benevolência por um santo idoso calçado em botas simples no banco oposto, então você compreende que não é digno de limpar essas botas. Isso faz você se libertar dessa presunção."
Aqui, Lewis compreende algo especial sobre a adoração comunitária: ela é simples; é pautada na simplicidade. Tal simplicidade tem o objetivo de ser inclusiva. Ela possibilita a todos participarem, todos cantarem, todos lerem, todos cultuarem como se fossem um (e o são!).
Efésios 5:19 e Colossences 3:16 nos recomenda adorarmos a Deus com simplicidade e devoção. São mencionados hinos, salmos e cânticos. Todavia, não são estas expressões artísticas que nos unem, mas o que é expressado por meio deles: a majestade de Deus, a glória de Cristo, a cruz, o amor de Deus. Independente do que cantamos, de como cantamos, nossas canções devem refletir isso.
E quanto aos estilos? À forma? Creio que aqui, mais uma vez, Calvino possa nos ajudar: "Mas, porque nas cerimônias não quis ele prescrever minuciosamente o que devamos seguir (porque isto previne depender da condição dos tempos, nem julgaria convir a todos os séculos uma forma única). Enfim, porque Deus nada ensinou expresso nesta área, porquanto essas coisas não são necessárias à salvação e devem acomodar-se variadamente para a edificação da Igreja, segundo os costumes de cada povo e do tempo. De fato reconheço que se deve recorrer à inovação não inconsiderada, nem seguidamente, nem por causas triviais. O que, porém, prejudica ou edifica, melhor o julgará a caridade, a qual se permitirmos seja a moderatriz, tudo estará a salvo."
Kevin DeYoung, um jovem pastor reformado norte-americano, afirma que"nosso primeiro objetivo não deve ser conquistar a cultura ou apelar para o não regenerado. Adoração é para o Único Digno".
Posto isto, afirmo que nossas músicas devem refletir, de certo modo, a unidade em meio a nossa diversidade. Devemos fazer o que fizermos com excelência, expressando todo o Conselho de Deus em nossas canções ou poemas.
Portanto, nunca perca seu foco em um culto comunitário. Você vai ali para adorar a Deus, e não para reparar nas pessoas ou suas expressões.
Concluindo, creio que, no Brasil, a grande maioria das pessoas vive debaixo de uma opressão espiritual. Tal opressão as impede de perceber beleza nas artes. Barulhos são chamados de música e rabiscos são chamados de pintura. Contudo, são, do meu ponto de vista, uma forma espiritual de manter pessoas distantes do que a arte pode mesmo comunicar em termos de beleza e ensino.
Sim, eu creio que a arte pode nos ensinar. Mais que isso. Creio que a arte pode me levar a adorar a Deus. Quando ouço uma jovem tocando de modo excepcional um violão, ou um adolescente pintando maravilhosamente um quadro, ou um senhor escrevendo uma linda poesia sobre o campo, tudo isso me leva a louvar a Deus, pois eu sei que a fonte de toda a beleza não poderia vir de outro lugar que não dEle.
Sim, a arte pintada, cantada, tocada, escrita, filmada, declamada me leva a adorar a Deus. A perversão da arte está no adorar da criatura, do artista, ao invés de adorarmos aquele que lhe deu o dom, o Criador.
Que, em nossa relação com o mundo, também saibamos, com equilíbrio e bom senso, nos relacionar com as músicas, poesias, literatura, teatro, cinema, exposição de quadros, enfim, com toda sorte de expressão artística de modo a redimi-la.
Seja excelente em tudo o que fizer e não deixe de louvar a Deus quando vir a excelência da glória e da graça de Deus na vida de um pagão, quando este expressar, de forma brilhante, o seu dom. Louve a Deus pela beleza da arte e não deixe de fazer o que faz da melhor forma possível. Dê glória a Deus e faça tudo para a glória de Deus.
Wilson Porte Jr.
É bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e mestre em Teologia-histórica pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper. É pastor da Igreja Batista Liberdade (SP) e professor no Seminário Martin Bucer e na Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares. Wilson Porte é casado com Rosana e pai de Natan e Ana.

O Mundo e o Cristão - Parte 5

O mundo sempre será um lugar encantador para o cristão. Não adianta achar que um dia você acordará sem nenhuma vontade de pecar. Tal dia nunca chegará debaixo do sol. Está e estará em mim e em você a natureza pecaminosa até o dia em que nossa carne falecer e nosso espírito for para as mãos daquele que nos resgatou. Até aquele dia, precisaremos "matar um leão por dia", como diz um amigo que luta contra o vício das drogas.
No artigo passado, vimos como devemos estar atentos contra o desejo do nosso coração de agir sem nos preocuparmos com o que as demais pessoas estão pensando de nós. Vimos que agir sem pensar em ninguém é egoísmo. Achar que cada um deve cuidar de sua própria vida e que nós devemos nos preocupar em fazer tão somente o que queremos é errado. Vimos que, embora a Bíblia não proíba certas coisas, ela nos ordena "fugir da aparência do mal" (1Ts 5.22).
Pretendo refletir nesse pequeno artigo sobre a nossa relação com as leis. Há, infelizmente, uma compreensão um pouco equivocada na mente de alguns cristãos. Segundo estes, o uso de drogas como a maconha, por exemplo, não é necessariamente um erro, pois além da Bíblia não proibi-la, em Gênesis 2.15-17, Deus diz a Adão que ele poderia fazer uso de todas as árvores/plantas/ervas do jardim. Segundo a afirmação destes, Deus ali concedia a Adão a permissão de usar, inclusive, a maconha.
Este é apenas um argumento. Há muitos outros relacionados a outras drogas ilícitas, a pagamento de impostos, etc. O argumento é sempre o mesmo: se a Bíblia não proíbe, então não me preocuparei.
Como já escrevi nos primeiros artigos, não creio que esse pensamento esteja correto. Em Romanos 13.1-7, Paulo nos orienta a obedecermos às autoridades superiores. Eles são colocados no poder como ministros de Deus, tanto para abençoar quanto para punir um povo. E são eles que criam as leis que esse povo deverá cumprir. Uma vez criada, a lei deve ser obedecida. E desobedecê-la significa desobedecer a Deus. Só nos é permitida a desobediência às leis no caso delas nos levarem ao pecado. Quando isso acontecer, "mais importa obedecer a Deus do que aos homens" (At 5.29).
Portanto, se a lei me proíbe de fumar maconha, eu não fumarei. Se a lei diz que eu devo pagar impostos, eu os pagarei. Não agir segundo este raciocínio é desobedecer ao próprio Deus.
Mas o que faremos se o uso da maconha for descriminalizado? Passaremos a fumar maconha? Beberemos o seu chá? Pois bem, creio que também devemos nos lembrar que entre nós e o mundo está o bom senso. Mais uma vez aplica-se o princípio de que devemos nos abster, fugir de toda e qualquer aparência de mal. Isso não significa que a coisa em si é má. Talvez ela não seja! Talvez seja até boa, lícita. Mas, se ela der a alguém a aparência de que estamos agindo mal, devemos negá-la.
Sei que isso pode parecer pueril ou até mesmo tolo para alguém. Todavia, não creio que era para o apóstolo Paulo. Infelizmente, vivemos rodeados pela cultura do consumo e do narcisismo. Queremos ser satisfeitos e agradados o tempo todo. Queremos o que queremos e o queremos agora! Mas isso não é certo! Precisamos entender que a nossa cultura caminha na mesma direção da proposta que a serpente fez para Eva. Queremos ser deuses, plenamente satisfeitos e adorados. Queremos ser senhores de nossas vidas, não importando o que Deus ou os homens pensem de nós. Não há respeito ou temor pelo outro nem mesmo por Deus!
Portanto, embora o mundo seja encantador para nós, não devemos nos esquecer que fomos desarraigados dele. Nossas raízes não estão mais nele. Embora ainda não o tenhamos deixado completamente, precisamos conhecer bem os limites de nossa relação com ele. Nunca nos esqueçamos das palavras de Paulo: "Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma" (1Co 6.12).
No próximo artigo da série, tratarei sobre nossa relação com a chamada "música do mundo". Até lá!
Wilson Porte Jr.
É bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e mestre em Teologia-histórica pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper. É pastor da Igreja Batista Liberdade (SP) e professor no Seminário Martin Bucer e na Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares. Wilson Porte é casado com Rosana e pai de Natan e Ana.

O Mundo e o Cristão - Parte 4

O mundo é tentador, e toda tentação nos move a arrumarmos desculpas e meios para que cedamos a elas sem dor na consciência. O fato é que, quando queremos pecar, arrumamos um meio e, muitas vezes, uma desculpa para pecarmos. E o que mais encontramos na internet hoje são pessoas escrevendo sobre meios de pecar sem se preocupar com isso. Pessoas reinterpretando ou ressignificando tudo o que o cristianismo considerou pecado em dois milênios.
Quando alguns cristãos começam a tratar de pontos nos quais a Bíblia não é clara, muitos gostam de dizer que, "se a Bíblia não proíbe, então, é sinal que Deus não liga se fizermos". O pensamento dessas pessoas está recheado de malícia, malícia típica de quem está doido para pecar. Explico. Quando chegamos ao ponto de afirmar que podemos fumar maconha, transar antes do casamento, sair pra balada, etc., isso é sinal que pulamos uma fase importante do pensamento cristão. Todo cristão deve meditar no fato de que entre nós e o mundo, está Deus! Vivemos diante da face de Deus. Não há um segundo de nossas vidas que deve ser vivido sem que nos lembremos dEle e pensemos se o que estamos fazendo o agrada ou entristece. Se não O considerarmos em tudo o que vivemos, corremos o risco de fazermos algo que O esteja ferindo.
Não podemos nos esquecer também que, entre nós e o mundo, está nosso próximo. Se, por um lado, a Bíblia não diz "não beberás cerveja", por outro lado, ela diz que devemos "fugir da aparência do mal". Aqui, muitas pessoas dizem que, se alguém quiser pensar ou dizer algo sobre elas, que elas não estão nem aí. Que cada um deve cuidar de sua própria vida, e que elas não se importam com o que os outros pensam. Particularmente, entendo que tal pensamento está errado. Creio que devemos nos preocupar sim com o que estão pensando de nós. Sobretudo quando estamos entre não convertidos.
Paulo vai dizer aos coríntios em 1Coríntios 10 que, até mesmo se um novo convertido se sentir constrangido ou escandalizado com certa atitude nossa, que devemos deixar de fazer para não nos tornarmos pedra de tropeço para nosso próximo, seja ele regenerado ou não.
Então, veja, não há na Bíblia essa falsa liberdade de que pode-se agir como bem quiser. Paulo disse que tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém. Agir contra isso é egoísmo. E egoísmo deve ser confessado com arrependimento e abandonado.
Em nosso próximo artigo, continuaremos refletindo sobre isso. Até lá!
Wilson Porte Jr.
É bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e mestre em Teologia-histórica pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper. É pastor da Igreja Batista Liberdade (SP) e professor no Seminário Martin Bucer e na Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares. Wilson Porte é casado com Rosana e pai de Natan e Ana.

O Mundo e o Cristão - Parte 3-Faça tudo o que quiser: pecado Deus perdoa!

Fumar, beber, transar antes do casamento, casar-se com quem não teme ao Senhor e sair na balada com a galera no sábado à noite não são coisas necessariamente erradas. Podem ser erradas para você, mas não ser para outros. Afinal de contas, cada um sabe de sua própria vida e tudo é relativo.
Tenho quase certeza que você já ouviu isso de alguém. Escandalosamente, o cristianismo está cheio de gente que pensa assim. Pessoas que não aceitam a autoridade de quem as governa, de quem as preside, a autoridade de seus pais e a de quem as pastoreia. Aliás, até mesmo a autoridade da Bíblia é questionada. Vivemos em um tempo quando, muito mais do que o relativismo cultural e moral, tem crescido a ideia de que a autoridade sobre sua vida é você mesmo. Isso é um absurdo. Se algo não acontecer, em breve viveremos um tempo insuportável, quando seremos todos engolidos pela nossa própria arrogância.
Vivemos em uma época vazia em muitos sentidos. Os buracos na moral, na ética, na honestidade intelectual, na profundidade teológica, são visíveis. Há muito tempo não se vê preocupação com a profundidade e o valor absoluto das coisas. Alguns resumem, de modo infantil, o nosso tempo como um período em que "tudo é relativo".
O absurdo dos que pensam que 'cada um tem sua verdade, cada um interpreta a Bíblia como melhor a entende', nasce do pressuposto de que a verdade é relativa. Muitos já têm satisfatoriamente demonstrado a imbecilidade de tal afirmação. Se a verdade é relativa, o próprio fato de eu dizer isso torna o que eu digo algo relativo. Logo, você não pode acreditar no que eu digo, tornando minha afirmação em algo que você não sabe se pode confiar ou não. Isso, qualquer criança pensante é capaz de perceber: afirmar que os absolutos não existem já é um absoluto.
O que muitos não são capazes de perceber é que, em nossa relação com o mundo, a Bíblia diz que somos livres em Cristo para fazer tudo o que quisermos, mas que nem tudo nos convém fazer. Por quê? Seria tão bom desfrutarmos das coisas boas do mundo sem termos nossas consciências queimando por conta dos versos proibitivos. Seria tão bom se fizéssemos tudo e não tivéssemos que nos preocupar com o fato delas serem pecado. Mas, são pecado? Se somos livres em Cristo e a Bíblia não proíbe, por que as chamamos de pecado?
Pois bem, amigos. A Bíblia é muito clara quanto a descrever os detalhes de nossa relação com o mundo. Se, por um lado, ela não proíbe a ingestão alcoólica, a utilização de drogas ilícitas, fumar cigarros, sair para a balada, etc., isso não significa que ela autoriza você a fazer todas essas coisas. Onde está o seu bom senso? Onde está seu zelo em fugir da aparência do mal? Onde está sua preocupação com seu próximo? Enfim, para onde você está levando a sua vida, vivendo de modo totalmente relax?
Quero apenas destacar os quatro pontos que desenvolverei no próximo artigo desta série:
1) Entre nós e o mundo, está Deus;
2) Entre nós e o mundo, está o próximo;
3) Entre nós e o mundo, estão as leis;
4) Entre nós e o mundo, está o bom-senso.
Enquanto não nos encontramos no próximo artigo para continuarmos a refletir sobre isso, medite nestes quatro pontos. Tenho certeza que, em devoção e meditação perante o Senhor, você será guiado para fora de muita coisa que hoje faz parte de sua vida. Deixe que Deus continue a libertar você das amarras que, talvez, ainda estejam te impedindo de crescer em santidade.
Wilson Porte Jr.
É bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e mestre em Teologia-histórica pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper. É pastor da Igreja Batista Liberdade (SP) e professor no Seminário Martin Bucer e na Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares. Wilson Porte é casado com Rosana e pai de Natan e Ana.

O Mundo e o Cristão - Parte 2-Quando belos ensinos substituem a simplicidade do Evangelho

"E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade" - Pedro em 2Pe 2.1-2
O veneno mais perigoso não é aquele que está empacotado em uma caixa com avisos de perigo. O veneno mais perigoso é aquele que vem disfarçado de alimento delicioso. Que tem aparência de sorvete, mas um conteúdo destruidor.
O povo de Deus sempre namorou ensinos mentirosos e destruidores. Não por uma tendência suicida, mas por não abraçar as Escrituras como suficientes à sua vida e fé.
No antigo e no novo testamento, além de em toda a história da igreja, a batalha pela verdade (Jd 3) sempre foi necessária. A mentira é sedutora! Ela vem montada em um discurso retoricamente perfeito. Ainda hoje, muitos têm cedido ao maligno que adentra a igreja de Cristo por meio de falsos ensinos encantadores.
Em nossa reflexão sobre a relação dos cristãos com o mundo, meditaremos hoje nos conselhos do apóstolo Pedro às igrejas que estavam namorando com ensinos aparentemente belos e cristãos, mas que estavam carregados de mentira e corrupção.
A segunda epístola de Pedro foi escrita em um momento bastante complicado do primeiro século. A igreja de Deus que tinha a tarefa de levar o Evangelho à Judeia, Samaria e confins da Terra, permaneceu em Jerusalém, saindo dali apenas em momentos de perseguição. Mas, logo que a perseguição acabava, eles se juntavam novamente. Até que uma perseguição mais séria veio e eles tiveram que se espalhar definitivamente por algumas regiões do mundo, próximas à Israel.
Segunda de Pedro foi escrita à algumas destas comunidades. Pedro estava preocupado, pois o Evangelho que havia sido pregado a eles estava sendo abandonado. Por meio de falsos mestres infiltrados dentro da igreja, a heresia do gnosticismo (cuja essência, entre os cristãos, era de privilegiar alguns por conta do conhecimento que eles tinha) estava convencendo a muitos. Ao invés de os cristãos manterem a ideia de que são todos iguais aos olhos de Deus, de que não há uma aristocracia baseada no conhecimento, os mestres gnósticos defendiam uma distinção de classes entre as pessoas, baseada no conhecimento que elas tinham.
Pedro temia que a sedução pelo engano da mentira disfarçado de "conhecimento" levasse as pessoas à abandonarem a comunhão e a fé. Ou seja, Pedro temia que o mal ensino que há no mundo entrasse no coração dos cristãos – e ele temia isso mais do que a própria perseguição.
O falso ensino defendia a não soberania do Senhor Jesus (2Pe 2.1). E este vinha acompanhado de libertinagem e corrupção moral (2Pe 2.2, 10-16, 18, 19; 2.3, 14, 15; 3.1-16). Por causa do mal que estava entrando no coração dos cristãos, Pedro escreveu sobre como eles deveriam viver, como fugir do mal (aqui personificado em uma filosofia enganosa), e como aguardar o retorno de Jesus.
Assim como foi na época de Pedro, muitos hoje têm sido enganados por falsos (e belos) ensinos modernos. Ensinos que negam a inerrância das Escrituras. Que negam sua inspiração. Que negam doutrinas centrais da fé. Como foi há 1900 anos atrás, hoje também devemos estar atentos a tudo aquilo que se propõem a negar a suficiência das Escrituras. Devemos estar atentos diante de bons oradores, bons artigos, bons professores, que têm destruído os fundamentos da fé cristã. Sua beleza não deve nos encantar a ponto de fazer-nos substituir a simplicidade e suficiência da Bíblia por suas argumentações demoníacas.
Não esqueçam, o veneno mais perigoso não é aquele que está empacotado em uma caixa com avisos de perigo. O veneno mais perigoso é aquele que vem disfarçado de alimento delicioso. Que tem aparência de sorvete, mas um conteúdo destruidor.
Se forem destruídos os fundamentos, que poderá fazer o justo? - Salmo 11.3

O Mundo e o Cristão - Quais os limites desta relação?

"Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal" - Jesus em Jo 17.15
Embora sejam estranhas ao cristianismo primitivo, regras tentando livrar o cristão do mundo são comuns de uns tempos para cá. São regras que visam o bom testemunho e a proteção do cristão contra o pecado. Criando-as, a igreja passa a instituir leis, usos e costumes que a Bíblia jamais criou. Algumas das regras são conhecidas:
"O cristão não pode beber, não pode fumar, não pode ir à show de rock, não pode ir ao baile, não pode ouvir música do mundo e não pode ir à festa junina. Não pode comemorar o Natal e a Páscoa. Não pode assistir UFC e nem sonhar em praticar artes marciais!"
Não são poucos os que têm criado regras sobre o que um cristão pode e o que ele não pode fazer com relação ao mundo. Para estes, o mundo é um lugar perigoso e que deve ser evitado.
Por outro lado, muitos afirmam que o cristão não deve temer o mundo. Afirmam que o mundo é bom. Que podemos desfrutar de tudo o que há no mundo, seus bares, seus shows, suas festas, suas gírias, suas roupas... apenas não esquecendo a moderação.
Mas, o que é mundo? Permitam-me uma breve definição. Em Jo 17.15, Jesus orou assim: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal". Tomando por base este versículo, entendemos que o mundo é o lugar onde vivemos. Logo, é impossível sairmos do mundo sem que morramos. Tirar do mundo seria o mesmo que matar. E, uma vez mortos, não poderíamos exercer nosso papel de sal e luz neste mundo. E é aqui, no mundo, que Deus nos usa. O pedido de Cristo é que o Pai nos livrasse do mal. Logo, há uma distinção entre o mundo e o mal. Você já pensou nisso?
Os cristãos têm uma missão neste mundo. Mais do que uma missão, uma tarefa (prazerosa). E esta tarefa não tem seu lugar fora do mundo. Todavia, Jesus afirmou várias vezes que o mal está no mundo (embora ele não seja o mundo). Que o maligno vive para nos matar, roubar e destruir. Seu poder de sedução é muito grande. Ele está aí, no mundo, ao nosso lado, o tempo todo. Embora Cristo peça ao Pai que não nos tire do mundo, ele intercede por nós para que fôssemos livrados do mal. Logo, existe uma linha muito fina que nos separa do mal.
Antes de sairmos legislando, deveríamos refletir sobre isso. A falta de bom senso e equilíbrio é o que tem levado pessoas aos extremos. Ou nada pode, ou tudo pode. Ou reprime, ou libera geral. Convido-os ao equilíbrio! Ao bom senso. Para isso, é necessário entendermos duas coisas: a graça comum e o que a Bíblia (nossa única regra de fé e prática) chama de mal.
Convido-os à reflexão. A partir de hoje, durante algumas semanas refletirei sobre a NOSSA RELAÇÃO COM O MUNDO. Quais são os limites desta relação? O que convém e o que não convém a um cristão? Veremos como Pedro e Paulo, em suas epístolas, lidaram com os cristãos libertinos que achavam que "tudo pode". Veremos seus conselhos, suas recomendações e como a Palavra de Deus nos ensina a lidar com o mundo que nos cerca.
Seja bem-vindo à nossa jornada de reflexão sobre o Mundo e o Cristão.
Wilson Porte Jr.
É bacharel em Teologia pelo Seminário Bíblico Palavra da Vida e mestre em Teologia-histórica pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper. É pastor da Igreja Batista Liberdade (SP) e professor no Seminário Martin Bucer e na Sociedade de Estudos Bíblicos Interdisciplinares. Wilson Porte é casado com Rosana e pai de Natan e Ana